terça-feira, 13 de maio de 2014

Humanização do nascimento: contato pele a pele precoce!

Ola querid@s!!

Hoje acordei com uma reportagem dizendo que agora é lei, e toda maternidade pública deverá permitir o contato precoce entre o bebê e a mãe logo após o nascimento, antes de qualquer procedimento.O Ministério da Saúde publicou uma portaria que, além desta recomendação, também recomenda o clampeamento tardio do cordão umbilical, após parar de pulsar. Este procedimento previne anemia nos bebês por garantir um maior aporte de sangue.

http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/videos/t/edicoes/v/maternidades-publicas-devem-aumentar-o-contato-entre-a-mae-e-o-bebe/3342162/

Posso dizer que foi uma ótima noticia. Uma grande vitória na humanização do nascimento. Segundo o blog do Ministério da Saúde, a portaria vem oficializar a recomendação da OMS



A Organização Mundial da Saúde (OMS) já recomenda o contato pele a pele precoce, sendo esta recomendação o 4º Passo da Iniciativa Hospital Amigo da Criança (IHAC). Este passo recomenda:

"Ajudar as mães a iniciar o aleitamento materno na primeira meia hora após o nascimento. Colocar os bebês em contato pele a pele com suas mães imediatamente após o parto por no mínimo uma hora e encorajar as mães a reconhecer quando seus bebês estão prontos para serem amamentados, oferecendo ajuda se necessário."

O contato precoce favorece o fortalecimento do vínculo e estimula o apego, além disso, ajuda a manter o bebê aquecido e calmo. Ele deve ser colocado, sem roupa, sobre o colo da mãe. Deve ser deixado por pelo menos 1 hora e estimulado a iniciar a amamentação. Mas infelizmente até hoje este direito foi roubado de muitas mães, substituído por procedimentos e rotinas que sempre anularam o poder da mulher enquanto mãe e consideravam mais importante as necessidades da equipe e da instituição. Agora as coisas terão que mudar.

Para entender melhor o que acontece neste primeiro encontro entre mãe e bebê, o site Aleitamento.com compartilhou recentemente uma pesquisa que descreveu as etapas deste momento. São elas:

1. choro
2. relaxamento
3. despertar
4. atividade
5. descanso
6. tateado
7. familiarização
8. sucção
9. sono





É um momento tão importante que nenhuma mulher e nenhum bebê deveriam ser privados de vivê-lo. Fico feliz em saber que temos agora um respaldo legal, que não estamos mais sozinhos na luta por este direito, mas me entristece saber que algo tão natural precisa virar lei para acontecer. Então que seja assim!

Só espero que não vire uma "rotina banal" e que os profissionais envolvidos não sejam só "treinados" para ajudar as mães neste momento, mas que sejam sensibilizados sobre a sua importância. E que entendam que contato pele a pele é pele do bebê na pele da mãe, no colo, que o bebê não deve ser forçado a pegar o peito, mas que isso deva acontecer dentro do seu tempo, que o contato não deve ser por 5 minutos e sim por pelo menos 1 hora.

E vamos em frente na luta por uma maternidade mais respeitada e humana!

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Pouco leite? parte 2.

Ola querid@s!


Diante de uma reportagem lamentável que está circulando na internet da revista Pais e Filhos, me senti na obrigação de retomar um assunto que já comentei aqui no blog anteriormente: como saber se o que o bebê está mamando é suficiente?

Para quem não teve a oportunidade de ler o POST ANTERIOR, vamos retomar alguns pontos importantes:

1. o choro do bebê não é parâmetro único para saber se ele está bem alimentado! Bebês recém-nascido choram muito nos primeiros meses de vida. Choram porque estão com sono, choram por frio, por calor, porque a fralda está suja, porque a roupa incomoda, porque está muito barulho ou muito silêncio, porque podem ter refluxo e refluxo causa queimação e dói, choram porque querem colo de mãe e de pai, porque sentem saudade da época que estavam dentro da barriga, era muito mais gostoso e mais fácil la dentro.....e choram por fome também, porque está na hora de mamar. Bebês recém-nascido chegam a mamar a cada 2hs e tem dia que a cada uma hora, e tem dia que a cada 3hs....isso chama-se livre demanda!

2. Só podemos chegar à conclusão que o que o bebê está mamando não está sendo suficiente avaliando comportamento + ganho de peso + número de fraldas de xixi por dia + evacuações (o cocô do bebê). Muito mais do que o choro do bebê, o ganho de peso é um parâmetro mais importante.

3. Menos de 2% das mulheres não são capazes de produzir leite suficiente para seu bebê sem ter algum fator que interfira na produção. A grande maioria "acreditam" ou "acham" que não produzem leite suficiente, resultado da insegurança e da falta de apoio e orientação (MARQUES; COTTA; PRIORE, 2011).

4. Nenhuma mulher amamenta sozinha! Ela precisa de suporte, ambiente tranquilo, orientação de profissionais, da família e principalmente do marido! E não é por um dia, é o tempo todo, diariamente.

Minhas queridas mães e mulheres! Amamentar não é fácil, é aprendizado diário e contínuo. É resignação, é persistência, é paciência. Mas acima de tudo é prazeroso sim! Mas como diz uma grande amiga, Dra Luciana Herrero, antes de chegar na praia e aproveitar as maravilhas da natureza, o mar, o sol, temos que pegar a estrada, que pode ter pedras, curvas, chuva, e outras dificuldades. Mas a gente sempre chega.

Não podemos ter receio nem vergonha de pedir ajuda, de perguntar, de errar, de tentar de outra forma, mas principalmente de ouvir nosso coração! Ele nunca se engana.

Cuidado com o que circula na rede, cuidado com o que vocês leem na internet. Nem tudo que está escrito é verdade, é comprovado, é embasado cientificamente.

Com carinho!
Carolina Guimarães

Referências:
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica, Saúde da Criança: nutrição infantil, aleitamento materno e alimentação complementar. Caderno de Atenção Básica n. 23. Série A. Normas e Manuais Técnicos. Brasília: Ministério da Saúde; 2009. 112p.
MARQUES, E.S.; COTTA, R.M.M.; PRIORE, S.E. Mitos e Crenças sobre o aleitamento materno. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v.16, n.5; p. 2461-2468; 2011.


sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Livre demanda, por que é tão importante?

Olá Querid@s!!

Volto à ativa das postagens com um pedido muito especial: falar sobre livre demanda na amamentação!

O Ministério da Saúde faz a seguinte recomendação:

"Recomenda-se que a criança seja amamentada sem restrições de horários e de
tempo de permanência na mama. É o que se chama de amamentação em livre demanda.
Nos primeiros meses, é normal que a criança mame com freqüência e sem horários
regulares. Em geral, um bebê em aleitamento materno exclusivo mama de oito a 12 vezes
ao dia."

A livre demanda é importante para que haja uma adequada alimentação do bebê, para melhor regulação da produção de leite e para aumentar o vínculo entre mãe e bebê.

Entendendo a fisiologia da produção do leite, cerca de 3 dias após o parto ocorre o que chamamos de "apojadura" ou "descida do leite". A produção do leite a partir de então vai depender das mamadas e do esvaziamento da mama. Se o leite que está sendo produzido não for utilizado, a produção irá diminuindo gradativamente. A prolactina, hormônio responsável pela produção do leite, é liberada durante a mamada conforme a mama é esvaziada. A ocitocina, hormônio responsável pela ejeção do leite que foi produzido, é liberado a partir do estímulo de sucção do bebê, além de outros fatores que falarei mais adiante. O volume de leite produzido irá variar conforme a quantidade que o bebê mama e a frequência das mamadas. Quanto mais o bebê mamar, mais leite será produzido.

A maior dificuldade é que muitas mães podem se sentir inseguras em realizar a livre demanda, tendo a falsa impressão de que o bebê está "passando fome" por isso mama tanto. Outra dificuldade é o desgaste que pode provocar nas mulheres as mamadas frequentes.

Então vamos esclarecer por partes.

1. Meu bebê não está bem alimentado por isso quer mamar a toda hora.
Não é uma afirmação verdadeira. Bebês que não estão se alimentando adequadamente não ganham peso adequadamente, fazem pouco xixi (menos de 6 fraldas de xixi por dia) e não evacuam (fazem cocô) com frequência.
A amamentação com frequência e livre de horários garante que o bebê se alimente adequadamente. E não podemos esquecer que deve-se oferecer uma mama por mamada, para que seja esvaziada adequadamente e o bebê mame leite suficiente para ganhar peso e matar sua fome. Hoje não tem mais a história de dar de mamar 15 minutos em cada mama.

2. Eu fico muito cansada de amamentar tantas vezes.
Esta afirmativa é verdadeira! A amamentação cansa sim, desgasta, principalmente porque vem associada a outros fatores como privação de sono e horários irregulares de alimentação. Para minimizar estes efeitos é importante pedir ajuda com as tarefas da casa e com os cuidados com o bebê também, e aproveitar os horários que o bebê dormir e descansar junto com ele. Na fase inicial do pós-parto, a prioridade é o descanso, por isso é tão importante pedir ajuda. Uma dica para as que tem dificuldades para dormir durente o dia é tentar resgatar atividades que relaxem vocês mulheres, e não os bebês que já estão dormindo, além de se permitir relaxar. Outra dica é descobrir alguém na família ou amigos que poderia passar uma noite a duas por semana com vocês ajudando a olhar o bebê durante a noite enquanto os pais dormem um pouco.

O descanso, o bem estar da mulher, um ambiente calmo e aconchegante são fatores importantes que também contribuem para liberação de ocitocina, garantindo que o leite produzido esteja disponível para o bebê.

A livre demanda é uma ótima oportunidade de mãe e bebê se conhecerem e se entenderem, respeitando as necessidades e os limites de cada um. A amamentação é um trabalho em equipe, e cada equipe é única e funciona de um jeito. Dar espaço para descobrir estas particularidades é um dos caminhos para o sucesso da amamentação.

Com carinho,
Carolina Guimarães.