domingo, 18 de outubro de 2015

A amamentação e a importância do trabalho em equipe!

Olá amig@s!

Quando se fala de amamentação, é muito comum todos acharem que este assunto só diz respeito às mulheres, afinal os homens não amamentam então não precisam se interar tanto assim. O fato é que quando o assunto é amamentação, a participação do pai faz toda a diferença.

Muitas pesquisas já mostraram que a participação paterna no processo do aleitamento materno é um fator importante para o sucesso da amamentação.

Um estudo recentemente publicado na revista Pediatrics , foi realizado no Canadá para investigar o impacto de um programa de educação e suporte ao aleitamento materno envolvendo não somente a mãe, mas o casal. Os casais recebiam, além das orientações habituais sobre o aleitamento materno, orientações e materiais com conteúdos educativos sobre a participação do pai na amamentação (chamado de "Coparenting Breastfeeding Support"). Os casais foram avaliados quanto a manutenção do aleitamento materno exclusivo (ou seja, se o bebê estava sendo alimentado apenas com o leite de sua mãe, sem nenhum outro alimento associado, nem água), se as mães amamentavam por mais tempo e a percepção da mulher quanto à participação paterna e quanto ao apoio recebido durante a amamentação. Além disso, os autores também analisaram o nível de confiança paterna na amamentação (chamada de Autoeficácia na amamentação) e a atitude paterna quanto a alimentação da criança (o grau de preferência do pai pelo leite artificial ou pela amamentação). Os dados foram coletados ainda no hospital, durante a internação pós-parto, e também 6 e 12 semanas após o nascimento do bebê.

Os resultados mostraram que ações de promoção e suporte ao aleitamento materno que envolvam o casal podem influenciar positivamente os índices de aleitamento materno exclusivo e a duração do tempo de amamentação. Além disso, os programas que envolvem os país aumentam o nível de confiança paterna em sua habilidade para ajudar suas esposas na amamentação, e as mães percebem um maior envolvimento e apoio dos seus parceiros nesta fase desafiante do pós-parto.

É importante destacar que, quando se fala do apoio do parceiro, estamos falando de trabalho em equipe, da divisão de tarefas, especialmente nos cuidados com o bebê. Estamos falando de metas e objetivos compartilhados. E para isso é importante que o casal tenha uma boa comunicação e muita cumplicidade.

O estudo traz dados relacionados à Autoeficácia paterna na amamentação. A avaliação da confiança paterna na amamentação ainda não havia sido estudada, mas chama a atenção e o quanto é importante olhar com cuidado para isto, uma vez que se estamos falando que o apoio do pai é fundamental para o sucesso do aleitamento materno, é importante saber o quanto este pai se sente capaz de fornecer este suporte, e se for preciso, nós profissionais precisamos agir para que este homem aumente a confiança em seu potencial para ajudar sua esposa.

Durante o meu mestrado estudei a Autoeficácia na amamentação entre as mulheres, e despertou minha atenção quando li o estudo e vi os dados relativos à Autoeficácia paterna, um aspecto ainda não estudado. A orientação que o pai recebe poderá aumentar ou diminuir seu nível de confiança, e da mesma forma seu comportamento irá influenciar no nível de confiança da mulher em sua habilidade para amamentar o bebê. Portanto, nada melhor do que aprender juntos, e juntos escolher os caminhos e tomar as decisões necessárias; nada melhor do que curtir esta fase tão desafiadora, mas também tão prazerosa que é o pós-parto, juntos, vivenciando as mesmas emoções. E nada melhor do que ter alguém ao seu lado que entende o que está acontecendo e que te dá a maior força e o apoio necessário naquele momento, que impulsiona, ajuda a vencer as inseguranças e seguir adiante. Nada melhor do que o trabalho em equipe!


Referência:
  • Dennis CL. Coparenting breastfeeding support and exclusive breastfeeding: a randomized controlled trial. Pediatrics [internet]. Dec 2014 [cited 2012 sep 6]; 135(1):102. Avaliable from: http://
  • http://pediatrics.aappublications.org/content/135/1/102.full.pdf. DOI: 10.1542/peds.2014-1416.

    domingo, 2 de agosto de 2015

    24ª Semana Mundial de Aleitamento Materno - 2015



    Esta semana demos inicio à 24º Semana Mundial de Aleitamento Materno. O tema deste ano é: “Amamentação e trabalho: para dar certo o compromisso é de todos”.


    Nas últimas décadas aumentou o número de mulheres no mercado de trabalho. Segundo dados do IBGE, 2009 constatou que 48,8% das mulheres tinham algum tipo de trabalho com carteira assinada, mas ainda temos cerca de 60% das mulheres inseridas no mercado informal de trabalho, o que as deixam privada dos benefícios sociais como a licença-maternidade, e por isso muitas mulheres retornam ao trabalho antes mesmo dos 4 meses pós-parto para garantir o sustento da sua família. Por isso e por muitos outros motivos, este tema se faz tão importante.

    Um dos maiores desafios para a mulher que amamenta é o retorno ao trabalho. Para continuar amamentando a mulher precisa se planejar e contar com uma rede de apoio fortalecida e integrada, incluindo seu local de trabalho. Infelizmente este período de retorno ao trabalho é uma das principais causas de desmame precoce. Incentivar a mulher a continuar amamentando traz benefícios para sua saúde, pois a cada mês amamentando ela diminui o risco de desenvolver câncer e doenças crônicas no futuro, para a saúde do bebê que adoece menos uma vez que recebe anticorpos através do leite materno, benefícios econômicos para a família que gasta menos com tratamentos de saúde, medicamentos e internações e benefícios para a empresa que apoia a mulher, pois se seu bebê fica menos doente ela falta menos ao trabalho.

    Esta rede de apoio é fundamental para que a mulher sinta-se confiante em seu potencial de continuar amamentando seu bebê e supere os desafios desta nova fase de adaptação.

    O tema deste ano chama a atenção exatamente para isso: não basta a mulher ser incentivada e orientada a ordenhar seu leite, adequar sua rotina, é preciso que a família, a empresa e toda a sociedade participem. 

    Compartilho com vocês o link para baixar a cartilha do Ministério da Saúde com orientações para a Mulher Trabalhadora que Amamenta.

    Compartilho também um vídeo bem bacana da minha querida amiga Dra Luciana Herrero com 10 dicas para as mulher que irá retornar ao trabalho. Aproveitem para acessar a pagina dela no youtube que tem mais vídeos que irão ajudar muito!

    A amamentação é responsabilidade de todos! Vamos apoiar, vamos fazer a nossa parte!!

    Com carinho
    Carol
     

    terça-feira, 23 de junho de 2015

    O Mundo de Ninah: Por nutrir, por amor ou por prazer: amamentação como escolha!

    O Mundo de Ninah: Por nutrir, por amor ou por prazer: amamentação como escolha!

    Por nutrir, por amor ou por prazer: amamentação como escolha!

    Olá!

    Estive afastada das atividades do blog no último ano devido à conclusão do meu Mestrado. Graças a Deus consegui terminar e agora posso retomar os post com mais tranquilidade!

    Para retomar os post do blog, gostaria de compartilhar com vocês a experiência bem bacana que tive ontem. Tive o prazer e a oportunidade de participar do Workshop de Inverno do Núcleo do Aleitamento Materno (NALMA) da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto/USP.


    Tivemos um debate bem legal sobre maternidade e questões de gênero com os alunos de graduação e pós-graduação.

    As questões de gênero estão diretamente ligadas às escolhas e ao comportamento das mulheres frente à amamentação e a maternidade. O papel que temos perante a sociedade, nossos conceitos e como a família e os outros nos vêem e o que esperam de nós influenciam nossas decisões.

    Muitas mulheres sonham em ser mãe, muitas desejam a maternidade porque é socialmente esperado que uma mulher se case e tenha filhos. Mas também temos muitas mulheres que não desejam ter filhos, e não são menos mulheres por causa disso.

    Assim também acontece com a amamentação: apesar de todos os benefícios que conhecemos para a mulher, para o bebê e para toda a família, a amamentação tem significados diferentes para cada mulher, para sua família e para seu companheiro.

    O mais importante é que a escolha deve ser consciente, informada. Toda mulher deve receber todas as orientações sobre o aleitamento materno, desde a gestação, em vários momentos. E estas orientações devem também abranger sua família e seu companheiro (a), pois são eles que estarão no dia-a-dia ajudando esta nova mãe nesta nova e desafiante fase. Mas a palavra final é sempre da mulher.

    E mesmo as que optam por não amamentar precisam do nosso apoio, pois enfrentar uma sociedade que impõe a amamentação como obrigação não é fácil.

    Este é um assunto polêmico. Prometo retomar trazendo mais conteúdo. Mas de tudo quero que fique bem claro que EU SOU EXTREMAMENTE A FAVOR DA AMAMENTAÇÃO!! Mas respeito e acolho de coração cada mãe e suas decisões individuais.

    Prometo retomar este assunto com mais calma.
    Com carinho
    Carol

    terça-feira, 13 de maio de 2014

    Humanização do nascimento: contato pele a pele precoce!

    Ola querid@s!!

    Hoje acordei com uma reportagem dizendo que agora é lei, e toda maternidade pública deverá permitir o contato precoce entre o bebê e a mãe logo após o nascimento, antes de qualquer procedimento.O Ministério da Saúde publicou uma portaria que, além desta recomendação, também recomenda o clampeamento tardio do cordão umbilical, após parar de pulsar. Este procedimento previne anemia nos bebês por garantir um maior aporte de sangue.

    http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/videos/t/edicoes/v/maternidades-publicas-devem-aumentar-o-contato-entre-a-mae-e-o-bebe/3342162/

    Posso dizer que foi uma ótima noticia. Uma grande vitória na humanização do nascimento. Segundo o blog do Ministério da Saúde, a portaria vem oficializar a recomendação da OMS



    A Organização Mundial da Saúde (OMS) já recomenda o contato pele a pele precoce, sendo esta recomendação o 4º Passo da Iniciativa Hospital Amigo da Criança (IHAC). Este passo recomenda:

    "Ajudar as mães a iniciar o aleitamento materno na primeira meia hora após o nascimento. Colocar os bebês em contato pele a pele com suas mães imediatamente após o parto por no mínimo uma hora e encorajar as mães a reconhecer quando seus bebês estão prontos para serem amamentados, oferecendo ajuda se necessário."

    O contato precoce favorece o fortalecimento do vínculo e estimula o apego, além disso, ajuda a manter o bebê aquecido e calmo. Ele deve ser colocado, sem roupa, sobre o colo da mãe. Deve ser deixado por pelo menos 1 hora e estimulado a iniciar a amamentação. Mas infelizmente até hoje este direito foi roubado de muitas mães, substituído por procedimentos e rotinas que sempre anularam o poder da mulher enquanto mãe e consideravam mais importante as necessidades da equipe e da instituição. Agora as coisas terão que mudar.

    Para entender melhor o que acontece neste primeiro encontro entre mãe e bebê, o site Aleitamento.com compartilhou recentemente uma pesquisa que descreveu as etapas deste momento. São elas:

    1. choro
    2. relaxamento
    3. despertar
    4. atividade
    5. descanso
    6. tateado
    7. familiarização
    8. sucção
    9. sono





    É um momento tão importante que nenhuma mulher e nenhum bebê deveriam ser privados de vivê-lo. Fico feliz em saber que temos agora um respaldo legal, que não estamos mais sozinhos na luta por este direito, mas me entristece saber que algo tão natural precisa virar lei para acontecer. Então que seja assim!

    Só espero que não vire uma "rotina banal" e que os profissionais envolvidos não sejam só "treinados" para ajudar as mães neste momento, mas que sejam sensibilizados sobre a sua importância. E que entendam que contato pele a pele é pele do bebê na pele da mãe, no colo, que o bebê não deve ser forçado a pegar o peito, mas que isso deva acontecer dentro do seu tempo, que o contato não deve ser por 5 minutos e sim por pelo menos 1 hora.

    E vamos em frente na luta por uma maternidade mais respeitada e humana!

    quarta-feira, 27 de novembro de 2013

    Pouco leite? parte 2.

    Ola querid@s!


    Diante de uma reportagem lamentável que está circulando na internet da revista Pais e Filhos, me senti na obrigação de retomar um assunto que já comentei aqui no blog anteriormente: como saber se o que o bebê está mamando é suficiente?

    Para quem não teve a oportunidade de ler o POST ANTERIOR, vamos retomar alguns pontos importantes:

    1. o choro do bebê não é parâmetro único para saber se ele está bem alimentado! Bebês recém-nascido choram muito nos primeiros meses de vida. Choram porque estão com sono, choram por frio, por calor, porque a fralda está suja, porque a roupa incomoda, porque está muito barulho ou muito silêncio, porque podem ter refluxo e refluxo causa queimação e dói, choram porque querem colo de mãe e de pai, porque sentem saudade da época que estavam dentro da barriga, era muito mais gostoso e mais fácil la dentro.....e choram por fome também, porque está na hora de mamar. Bebês recém-nascido chegam a mamar a cada 2hs e tem dia que a cada uma hora, e tem dia que a cada 3hs....isso chama-se livre demanda!

    2. Só podemos chegar à conclusão que o que o bebê está mamando não está sendo suficiente avaliando comportamento + ganho de peso + número de fraldas de xixi por dia + evacuações (o cocô do bebê). Muito mais do que o choro do bebê, o ganho de peso é um parâmetro mais importante.

    3. Menos de 2% das mulheres não são capazes de produzir leite suficiente para seu bebê sem ter algum fator que interfira na produção. A grande maioria "acreditam" ou "acham" que não produzem leite suficiente, resultado da insegurança e da falta de apoio e orientação (MARQUES; COTTA; PRIORE, 2011).

    4. Nenhuma mulher amamenta sozinha! Ela precisa de suporte, ambiente tranquilo, orientação de profissionais, da família e principalmente do marido! E não é por um dia, é o tempo todo, diariamente.

    Minhas queridas mães e mulheres! Amamentar não é fácil, é aprendizado diário e contínuo. É resignação, é persistência, é paciência. Mas acima de tudo é prazeroso sim! Mas como diz uma grande amiga, Dra Luciana Herrero, antes de chegar na praia e aproveitar as maravilhas da natureza, o mar, o sol, temos que pegar a estrada, que pode ter pedras, curvas, chuva, e outras dificuldades. Mas a gente sempre chega.

    Não podemos ter receio nem vergonha de pedir ajuda, de perguntar, de errar, de tentar de outra forma, mas principalmente de ouvir nosso coração! Ele nunca se engana.

    Cuidado com o que circula na rede, cuidado com o que vocês leem na internet. Nem tudo que está escrito é verdade, é comprovado, é embasado cientificamente.

    Com carinho!
    Carolina Guimarães

    Referências:
    BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica, Saúde da Criança: nutrição infantil, aleitamento materno e alimentação complementar. Caderno de Atenção Básica n. 23. Série A. Normas e Manuais Técnicos. Brasília: Ministério da Saúde; 2009. 112p.
    MARQUES, E.S.; COTTA, R.M.M.; PRIORE, S.E. Mitos e Crenças sobre o aleitamento materno. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v.16, n.5; p. 2461-2468; 2011.


    sexta-feira, 27 de setembro de 2013

    Livre demanda, por que é tão importante?

    Olá Querid@s!!

    Volto à ativa das postagens com um pedido muito especial: falar sobre livre demanda na amamentação!

    O Ministério da Saúde faz a seguinte recomendação:

    "Recomenda-se que a criança seja amamentada sem restrições de horários e de
    tempo de permanência na mama. É o que se chama de amamentação em livre demanda.
    Nos primeiros meses, é normal que a criança mame com freqüência e sem horários
    regulares. Em geral, um bebê em aleitamento materno exclusivo mama de oito a 12 vezes
    ao dia."

    A livre demanda é importante para que haja uma adequada alimentação do bebê, para melhor regulação da produção de leite e para aumentar o vínculo entre mãe e bebê.

    Entendendo a fisiologia da produção do leite, cerca de 3 dias após o parto ocorre o que chamamos de "apojadura" ou "descida do leite". A produção do leite a partir de então vai depender das mamadas e do esvaziamento da mama. Se o leite que está sendo produzido não for utilizado, a produção irá diminuindo gradativamente. A prolactina, hormônio responsável pela produção do leite, é liberada durante a mamada conforme a mama é esvaziada. A ocitocina, hormônio responsável pela ejeção do leite que foi produzido, é liberado a partir do estímulo de sucção do bebê, além de outros fatores que falarei mais adiante. O volume de leite produzido irá variar conforme a quantidade que o bebê mama e a frequência das mamadas. Quanto mais o bebê mamar, mais leite será produzido.

    A maior dificuldade é que muitas mães podem se sentir inseguras em realizar a livre demanda, tendo a falsa impressão de que o bebê está "passando fome" por isso mama tanto. Outra dificuldade é o desgaste que pode provocar nas mulheres as mamadas frequentes.

    Então vamos esclarecer por partes.

    1. Meu bebê não está bem alimentado por isso quer mamar a toda hora.
    Não é uma afirmação verdadeira. Bebês que não estão se alimentando adequadamente não ganham peso adequadamente, fazem pouco xixi (menos de 6 fraldas de xixi por dia) e não evacuam (fazem cocô) com frequência.
    A amamentação com frequência e livre de horários garante que o bebê se alimente adequadamente. E não podemos esquecer que deve-se oferecer uma mama por mamada, para que seja esvaziada adequadamente e o bebê mame leite suficiente para ganhar peso e matar sua fome. Hoje não tem mais a história de dar de mamar 15 minutos em cada mama.

    2. Eu fico muito cansada de amamentar tantas vezes.
    Esta afirmativa é verdadeira! A amamentação cansa sim, desgasta, principalmente porque vem associada a outros fatores como privação de sono e horários irregulares de alimentação. Para minimizar estes efeitos é importante pedir ajuda com as tarefas da casa e com os cuidados com o bebê também, e aproveitar os horários que o bebê dormir e descansar junto com ele. Na fase inicial do pós-parto, a prioridade é o descanso, por isso é tão importante pedir ajuda. Uma dica para as que tem dificuldades para dormir durente o dia é tentar resgatar atividades que relaxem vocês mulheres, e não os bebês que já estão dormindo, além de se permitir relaxar. Outra dica é descobrir alguém na família ou amigos que poderia passar uma noite a duas por semana com vocês ajudando a olhar o bebê durante a noite enquanto os pais dormem um pouco.

    O descanso, o bem estar da mulher, um ambiente calmo e aconchegante são fatores importantes que também contribuem para liberação de ocitocina, garantindo que o leite produzido esteja disponível para o bebê.

    A livre demanda é uma ótima oportunidade de mãe e bebê se conhecerem e se entenderem, respeitando as necessidades e os limites de cada um. A amamentação é um trabalho em equipe, e cada equipe é única e funciona de um jeito. Dar espaço para descobrir estas particularidades é um dos caminhos para o sucesso da amamentação.

    Com carinho,
    Carolina Guimarães.

    sexta-feira, 22 de março de 2013

    Dá licença que o corpo é meu!!!

    Olá amig@s!!


    Andei um pouquinho afastada do blog devido a correria dos estudos e do trabalho.....mas cá estou de volta!!

    E volto trazendo um assunto delicado: a falta de respeito com o corpo e com a autonomia da mulher!

    Ainda ouço muitas histórias de mulheres que após o parto são expostas a situações de desrespeito. Mas esta semana bateu o recorde.

    Me lembro que desde a faculdade sempre ouvíamos que seja para medir uma pressão arterial, verificar a temperatura, seja o que for, deveríamos sempre pedir licença para o paciente. Mas acho que tem profissional que infelizmente faltou nesta aula.

    Historicamente a mulher no pós parto sempre esteve "condicionada" às regras da sociedade. Uma hora não era digno dar o peito para seus filhos, isso era papel das escravas, como não tinha voz nem vez, sedia....em outro momento ela tem que dar o peito aos seus filhos, faz parte de ser uma boa mãe, se não amamenta, que espécie de mãe é você?!.....mas ha algum tempo algumas coisas mudaram: a mulher saiu para o mercado de trabalho, tornou-se independente e dona do seu nariz, algumas leis vieram para cuidar de sua saúde, justamente para lembrar ao sistema e à sociedade que "atrás do peito tem uma mulher" que tem suas crenças, seus princípios, emoções, sensações....e principalmente tem suas próprias percepções de mundo.

    O que me entristece é ver em serviços que são ditos renomados, profissionais que não pedem licença para ver a mama da mulher que acabou de se tornar mãe e ainda "aperta" de forma invasiva e errada e tudo bem, diz que tem que fazer isso ou aquilo, mas esquece de perguntar se ela precisa de ajuda para começar, tira seus filhos dos braços sem pedir permissão, sem explicar direito o porque, e pior retorna com a criança sem dizer ao certo o que foi feito, o que aconteceu....a mulher ganhou autonomia, mas me parece que a sociedade ainda não enxergou isso e ainda se sente como antigamente, "dona" da sua vida e das suas decisões.

    Este é um comportamento que não cabe mais no mundo de hoje. As mulheres tem informações, sabem o que querem e tomam decisões que melhor for para elas e suas famílias....enquanto profissionais nos cabe orientar, mostrar todos os caminhos possíveis, não julgar suas atitudes atuais e do passado (afinal como seres humanos que somos todos erramos e acertamos, ou não?) e apoiá-la na decisão escolhida. E não gerar insegurança e culpa.

    Não dá mais para ignorar o que as mulheres dizem e desejam. Não dá mais para admitir que uma noite na maternidade que deveria ser para aprendizado e recuperação de um parto (que na sua maioria é cesárea, ou seja uma cirurgia, que precisa de cuidados e tranquilidade), seja uma noite de estresse, terror e irritabilidade.

    Se queremos melhorar os índices de aleitamento materno, é preciso começar a rever muita coisa, inclusive o nível de qualidade da nossa assistência...é preciso espalhar entre os profissionais os princípios do Aconselhamento: OUVIR, não julgar, orientar...não dá mais para iniciar um processo como a amamentação, que já é difícil para muitos, com estresse, insegurança e culpa....é preciso incentivo e apoio e respeito à ela como mulher, como mãe e como pessoa!

    domingo, 3 de fevereiro de 2013

    Novo estudo: o efeito do cochilo materno na interação mãe-bebê


    A recomendação para "dormir quando o seu bebê dormir" pode ter benefícios adicionais do que apenas ajudar os pais a sentirem-se mais descansados. Um estudo recente examinou a associação entre o cochilo materno no pós-parto e a interação entre mãe-bebê. Havia dois objetivos no estudo: o primeiro era descrever os padrões de sono materno aos cinco meses após o nascimento. O segundo era avaliar se o cochilo materno afetava positivamente a interação mãe-bebê. Apesar de o estudo em si ser pequeno, com apenas 23 mães de bebês de aproximadamente 5 meses de idade, os resultados são intrigantes:

    O sono materno aos 5 meses pós-parto:

    • Durante a noite as mães acordavam em média 49 minutos após terem adormecidos;
    • Entre as 23 mães, 57% tinham o hábito de cochilar, e destas que cochilavam, faziam isso de 2 a 3 vezes por semana em média;
    • Cerca de 60% deste grupo reportaram sintomas clínicos significantes de fadiga durante o dia;
    • A frequência de cochilos não foi diferente entre as mães que ficavam em casa e aquelas que trabalhavam fora o dia todo ou meio período.
    Nota: mães que precisavam de ajuda para dormir e que tinham mais de um filho foram excluídas do estudo.

    Interação mãe-bebê

    A interação mãe-bebê foi medida utilizando-se uma Escala de Ensino denominada NCAST (Nursering Child Assessment Satellite Training). As duplas foram observadas nas habilidades de comunicação e interação, o que incluía a avaliação da sensibilidade a estímulos infantis, respostas às necessidades dos bebês, e favorecimento ao crescimento cognitivo.

    O cochilo pós-parto e a interação mãe-bebê

    Uma frequência maior de cochilos maternos foram associados a um "maior envolvimento com o crescimento cognitivo e estímulos comportamentais com os seus bebês" e melhores scores na avaliação com a utilização da escala NCAST, quando comparadas com mães que não tinham o hábito de cochilar. Isso significa que mães que tem o hábitos de "tirar cochilos" tem maior qualidade na interação com seus bebês.

    Então o que isto significa para os novos pais? Pequenos cochilos ao longo da semana quando você estiver cansado pode ajudar a promover interações mais positivas com seu bebê. Os autores ainda sugerem que programar o descanso aos finais de semana pode ser uma alternativa para as mães que não tem a opção de realizá-los durante a semana.

    Post original:

    Tradução do post:
    Carolina Guimarães

    Artigo original
    Ronzio CR, Huntley E, Monaghan M. Postpartum Mothers' Napping and Improved Cognitive Growth Fostering of Infants: Results From a Pilot Study. Behav Sleep Med. 2012 Jan 18. [Epub ahead of print]

    quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

    Feliz 2013!!!

    Olá amig@s!!!

    2013 começando, vamos fazer este ano acontecer!!
    Feliz 2013!! Feliz Ano Dourado!!!


    terça-feira, 6 de novembro de 2012

    Um alerta sobre andadores

    Ola Amig@s!!

    Quero compartilhar com vocês um assunto muito sério, e que serve de alerta para todos os pais! ANDADORES!!

    Um objeto muito usado por muitas décadas, vem tendo sua "reputação" colocada em check com as últimas pesquisas. Representa um perigo muito grande para nossos bebês, tanto para acidentes quanto para prejuízos no desenvolvimento motor!

    Leiam abaixo o texto extraído do site www.criancasegura.org.br

    Com carinho a todos!!



    Andador: perigoso e desnecessário
    Por: Dr. Danilo Blank


    Desde 2007, é proibido vender, importar, e mesmo fazer propaganda de andador para bebês no Canadá. Apesar de ainda muito popular no Brasil, para bebês de 6 a 15 meses, o andador não é recomendado pelos pediatras. Os pais alegam alguns motivos para colocar o bebê no andador. Dizem que ele dá mais segurança às crianças (evitando quedas), mais independência (pela maior mobilidade), promove o desenvolvimento (auxiliando no treinamento da marcha), o exercício físico (também pela maior mobilidade), deixam os bebês extremamente faceiros e, sobretudo, mais fáceis de cuidar.
    A literatura científica tem colocado por terra todas estas teses. A ideia de que o andador é seguro é a mais errada delas. A pesquisadora sueca, Ingrid Emanuelson publicou uma análise dos casos de traumatismo craniano moderado em crianças menores de quatro anos, que considerou o andador o produto infantil mais perigoso, seguido por equipamentos de playground. A cada ano são realizados cerca de dez atendimentos nos serviços de emergência para cada mil crianças com menos de um ano de idade, provocados por acidentes com o andador. Isto corresponde a pelo menos um caso de traumatismo para cada duas a três crianças que utilizam o andador. Em um terço dos casos, as lesões são graves, geralmente fraturas ou traumas cranianos, necessitando hospitalização. Algumas crianças sofrem queimaduras, intoxicações e afogamentos relacionados diretamente com o uso do andador, mas a grande maioria sofre quedas; dos casos mais graves, cerca de 80% são de quedas de escadas.
    É verdade que o andador confere independência à criança. Contudo, um dos maiores fatores de risco para traumas em crianças é dar independência demais numa fase em que ela ainda não tem a mínima noção de perigo. Colocar um bebê de menos de um ano num verdadeiro veículo que pode atingir a velocidade de até 1 m/s equivale a entregar a chave do carro a um menino de dez anos. Crianças até a idade escolar exigem total proteção.
    O andador atrasa o desenvolvimento psicomotor da criança, ainda que não muito. Bebês que utilizam andadores levam mais tempo para ficar de pé e caminhar sem apoio. Além disso, engatinham menos e têm escores inferiores nos testes de desenvolvimento.
    O exercício físico é muito prejudicado pelo uso do andador, pois, embora ele confira mais mobilidade e velocidade, a criança precisa despender menos energia com ele do que tentando alcançar o que lhe interessa com seus próprios braços e pernas.
    Por fim, trata-se de uma grande falácia dizer que a satisfação e o sorriso de um bebê valem qualquer risco. Um bebê de um ano fica radiante com muito menos do que isso: basta sentar na sua frente, fazer caretas para ele e lhe contar histórias ou jogar uma bola.
    Dizer que o andador torna a criança mais fácil de cuidar revela preguiça, desinteresse ou falta de disponibilidade do cuidador. Caso o adulto realmente não tenha condições de ficar o tempo todo ao lado do bebê, é mais seguro colocá-lo num cercado com brinquedos do que num andador. Cercá-lo de um ambiente protetor, com dispositivos de segurança, como grades ou redes nas janelas; estas são medidas de proteção passiva, muito mais efetiva. O andador definitivamente não se enquadra neste esquema.
    Existe um movimento muito intenso na Europa e nos Estados Unidos visando a implantar uma lei semelhante à canadense, uma vez que todas as estratégias educativas têm falhado na prevenção dos traumatismos por andadores.
    Enquanto este progresso não chega ao Brasil, continuamos contando com o bom senso dos pais, no sentido de não expor os bebês a um produto perigoso e absolutamente desnecessário.

    Para os interessados em informações mais detalhadas sobre o assunto:
    • American Academy of Pediatrics. Committee on Injury and Poison Prevention. Injuries associated with infant walkers. Pediatrics. 2001;108:790-2.
    http://pediatrics.aappublications.org/cgi/content/full/108/3/790
    • Taylor B. Babywalkers. BMJ. 2002;325:612.
    http://bmj.bmjjournals.com/cgi/content/full/325/7365/612
    • Health Canada. Baby Walkers (Banned) & Stationary Activity Centres.
    http://www.hc-sc.gc.ca/cps-spc/child-enfant/equip/walk-marche-eng.php

    sexta-feira, 21 de setembro de 2012

    Mamiferozinho

    Olá querid@s!!

    No meio da correria com trabalho e mestrado, fiz um "pit stop" para dar um presente a vocês! Um delicioso poema escrito pelo Dr Luis Tavares, pediatra, "amamentólogo", protetor e defensor dos pequeninos prematuros e poeta. Quem quiser conhecer um pouquinho mais pode acessar www.alemdauti.com.br

    Com carinho a todos!


    Mamiferozinho

    Artigo XII
    Todo prematuro tem o direito de ser alimentado com o leite de sua própria mãe ou, na falta desta, com o de uma outra mulher tão logo suas condições clinicas assim o permitirem. Deverá ter sua sucção corretamente trabalhada desde o inicio da vida e caberá à equipe de saúde garantir-lhe esse direito, afastando de seu entorno bicos de chupetas, chucas ou de qualquer outro elemento que venha interferir negativamente em sua sucção saudável, bem como assegurando seu acompanhamento por profissionais capacitados a facilitarem esse processo. Nenhum custo financeiro será considerado demasiadamente grande quando aplicado com esse fim. Nenhuma fórmula láctea será displicentemente prescrita e nenhum zelo será descuidadamente aplicado sem que isso signifique desatenção e desamparo. O leite materno, doravante, será considerado e tratado como parte fundamental da sua vida.   

    Que Deus te proteja,
    Mamiferozinho,
    Das mamadeiras,
    Das chucas e dos bicos
    Oferecidos a ti sem nenhuma razão,
    E acorde os médicos,
    E as fonos
    E os enfermeiros
    Para a necessidade
    De sua proteção...
    Que te afaste chupetas,
    Mamiferozinhos,
    Fazendo da mama da mamãe
    A grande opção,
    E que te distancie
    Dos bicos ortodônticos
    E dos siliconados
    Sem exceção...
    Que Deus te permita,
    Mamiferozinho,
    O leite materno
    Pra tua satisfação,
    E nas dificuldades,
    Meu amiguinho,
    Que o leite humano
    Do Banco de Leite
    Não te falte não...
    Que a gota de colostro,
    Mamiferozinho,
    Seja sua dose
    De proteção,
    Que seja a gota de teu sustento,
    Que seja teu alimento
    E salvação...
    Que seja escrita assim dessa maneira
    A história da tua recuperação:
    Amor,
    Calor,
    Leite materno,
    Vida,
    Apego,
    Afeto,
    Crescimento são...
    Que Deus te permita,
    Mamiferozinho,
    A busca,
    A grande boca,
    A pega,
    A sucção,
    A lingua canolada
    E protraída,
    A vida
    Em minuciosa exatidão...
    E que tu cresças, mamiferozinho,
    Orgulhoso dessa nobre condição,
    Amamentado
    E cuidado com carinho,
    Semente boa
    Da próxima geração...
    Que Deus te guarde,
    Mamiferozinho,
    Que te guie
    E não te solte
    Da Sua mão,
    Que esteja sempre contigo,
    Mamiferozinho,
    Meu doce
    E pequenininho
    E grande irmão...

    domingo, 12 de agosto de 2012

    O papel do consultor!

    Olá amig@s!

    Algumas vezes já comentei aqui a importância do apoio profissional antes e após o nascimento. Por ser um período de muitas mudanças e muitas dúvidas, a presença de alguém que dê segurança faz toda a diferença.

    O consultor tem a função de detectar as principais dificuldades, orientar e apoiar, suprindo uma lacuna existente no apoio perinatal, após a alta hospitalar. O consultor se disponibiliza a ir ao domicilio o tempo que for necessário e por quantas vezes for preciso.

    Muitos estudos já comprovam que mulheres que recebem ajuda profissional no período pós-parto tem maior chance de amamentar seus bebês por mais tempo. Aumenta a confiança materna na sua capacidade de amamentar e cuidar de seu bebê. Previne situações complicadas e detecta precocemente outras situações que precisam de intervenções médicas.

    Compartilho uma reportagem do site do Jornal Folha de São Paulo sobre o papel do consultor em amamentação!

    Com carinho!


    Mães buscam consultoras para superar dificuldade de amamentar

    Campanhas e pressão social em favor do aleitamento têm tornado o serviço mais procurado.
    Mulheres se queixam de falta de orientação na maternidade e do "policiamento" da amamentação

    Karime Xavier/Folhapress


    Agosto é o mês da campanha mundial da amamentação, mas o que os cartazes com fotos fofas de mães e bebês não mostram é que amamentar nem sempre é fácil.

    Para cumprir essa missão, as novas mães estão recorrendo mais às consultoras e enfermeiras de aleitamento que atendem em casa.

    Com experiência na bagagem, elas respondem a dúvidas sobre pega correta, bico do seio rachado e mama empedrada. E tentam diminuir as angústias e o desconforto que fazem muitas mulheres partirem para a mamadeira de uma vez.

    "Há um leque de informações em livros e na internet, e as mulheres ficam perdidas", diz a enfermeira Martha Goldberg, que trabalha com amamentação há 23 anos e atende até 30 mulheres por mês em São Paulo.

    Segundo a obstetriz Ana Garbulho, também de São Paulo, até há pouco tempo as mulheres não conheciam o serviço domiciliar. "Hoje procuram no Google e indicam uma para a outra."

    Goldberg afirma que nem sempre o apoio oferecido nas maternidades é suficiente, e as mães sentem necessidade de orientação extra.

    Foi o caso da advogada Gabriela Marques, 35, quando teve sua primeira filha, Clarice, hoje com cinco meses. Ela conta que, na maternidade, as enfermeiras não ficaram muito tempo com ela para acompanhar as mamadas e tirar as dúvidas.

    "Achei que seria natural, mas não foi fácil. Sempre achei lindo, queria muito amamentar. Na prática, tive muita rachadura, a Clarice não pegava o peito direito. E você fica assustada em ver que o bebê não ganha peso."

    Gabriela compartilhou as angústias com as amigas e viu que não era a única a passar por esse perrengue. Elas indicaram consultoras que já tinham usado e aprovado.

    TEORIA E PRÁTICA

    As profissionais trabalham com hora marcada e acompanham toda a mamada do bebê. Dizem se a posição e a pega estão corretas, ensinam como cuidar do seio em caso de lesões e, principalmente, dão atenção às mães.

    "Tem muita campanha pró-aleitamento, mas falta informação sobre as dificuldades da realidade. No desespero de estar em casa sem saber o que fazer, essas mulheres têm o papel de nos tranquilizar. São anjos da guarda", diz a advogada Vanessa Rosa, 37, que usou o serviço após o nascimento de seus dois filhos.

    "Tive pouco leite e precisei dar complemento. Foi um sofrimento, até porque tem uma coisa de polícia hoje. É importante ter alguém para dizer: 'Calma, nem tudo é perfeito, faça o seu melhor'."

    A primeira visita custa de R$ 150 a R$ 350. Nos atendimentos seguintes, costuma-se cobrar cerca de metade do valor inicial.

    "Não é barato, mas o investimento valeu muito a pena", afirma Vanessa.

    A consultora Ana Garbulho afirma que há uma procura crescente por esse tipo de atendimento.

    "As pessoas estão mais informadas sobre os benefícios da amamentação, mas os pediatras nem sempre ajudam. Receitam a fórmula por comodidade." Segundo ela, é comum que as mulheres troquem de médico em busca de apoio ao aleitamento.

    "É mais difícil ficar mais tempo na consulta com a mãe. Muitos logo prescrevem a fórmula, o que é péssimo", diz Luciano Borges Santiago, presidente do departamento científico de aleitamento materno da Sociedade Brasileira de Pediatria.

    Segundo o pediatra Moises Chencinski, a falta de experiência e a família que fica dando palpites atrapalham a amamentação. "Por isso tem que ter paciência com essa mãe. Essa dedicação já seria suficiente para estimular o aleitamento."


    quarta-feira, 1 de agosto de 2012

    XX Semana Mundial de Aleitamento Materno

    Olá!!!

    Estamos iniciando mais uma Semana Mundial de Aleitamento Materno. São dias de festa, dias que convidamos a sociedade do mundo todo a olhar um pouco mais para a questão da amamentação.

    O tema deste ano é bem interessante: "Olhando o passado e planejando o futuro". Já comentei um pouquinho sobre ele no post anterior. Convido todos a uma reflexão sobre a amamentação.

    Hoje é fato que só não inicia a amamentação quem não quer! As campanhas estão cada vez mais fortes e presentes. Mas por quê ainda os índices de aleitamento estão abaixo do recomendado? E por quê é tão difícil manter a amamentação exclusivo pelo mínimo de 6 meses como recomendado?

    A Semana Mundial de Aleitamento Materno chama a atenção para estas questões. O que falta para melhorar os índices de aleitamento materno no mundo?

    Lendo alguns artigos estes últimos dias, chego a uma conclusão pessoal: três são os pontos que precisam ser melhorados na assistência materno-infantil:
    1. Melhor orientação pré-natal: alguns estudos trazem bons resultados quando as mães são bem orientadas ainda na gestação quanto a importância do aleitamento materno;
    2. Melhor assistência na maternidade: muitos profissionais não estão suficientemente capacitados para auxiliar as mães no início da amamentação, a lidar com dificuldades como a demora na descida do colostro ou bebês que precisam de cuidados especiais, como os prematuros. Acostumou-se a ir pelo caminho mais fácil, que é ofertar leite artificial, na mamadeira, ou água com glicose para os bebês, ao invés de apoiar, orientar e estimular as mães para que o leite desça o mais rápido. As maternidades devem repensar sua forma de assistência.
    3. Apoio domiciliar profissional pelo menos nos primeiros 6 meses pós parto: estudos tem mostrado que quando há um apoio mais efetivo após o parto, as mulheres amamentam mais. A segurança de saber que há alguém para orientar e auxiliar faz com que a mulher tenha mais segurança e confiança na sua capacidade de amamentar.

    Está na hora de começar a pensar em estratégias também para a manutenção da amamentação, reforçar ainda mais as políticas de incentivo ao início do aleitamento materno, preparar melhor a equipe de saúde que da suporte e assistência às famílias. Está na hora de falar a mesma língua. Está na hora de escutar mais as mulheres, suas dificuldades, suas angústias, seus medos. Está na hora de impor menos e ensinar mais!!

    Com carinho!


    terça-feira, 17 de julho de 2012

    Um pouquinho de história....

    Olá amig@s!!

    Estamos há 15 dias de inciar mais uma Semana Mundial de Aleitamento Materno, e o tema deste ano é "Entendendo o passado, planejando o futuro!".



    Pegando carona no tema, quero falar um pouquinho sobre a história de alguns mitos da amamentação, mitos  estes que ainda exercem uma força enorme no processo de amamentar.

    Tudo começa no período de descobrimento do Brasil. Nesta época, os índios tupinambás difundiam a amamentação amplamente, amamentando seus rebentos até os 18 meses. Mas chegaram os portugueses e trouxeram com eles o hábito do desmame, pois naquela época amamentar não era uma prática digna das mulheres da burguesia europeia.

    Com as mudanças econômicas e sociais, a partir do século XIX, houve um movimento inverso, de incentivo à prática do amor materno incondicional, onde a amamentação era a maior representação deste amor incondicional. Começa então uma grande pressão social sobre as mães, que deveriam amamentar e se não conseguissem a responsabilidade era toda delas.

    Com o "incentivo" à amamentação, começam a "surgir" as dificuldades, os problemas no processo de amamentar. Sem saber explicar o que acontecia, afinal acreditava-se que a amamentação era um ato natural e instintivo, surge a máxima do "leite fraco", como justificativa para essas dificuldades. Infelizmente essa "desculpa" foi amplamente aceita pela sociedade e até hoje exerce um forte poder sobre as famílias.

    Olhando um pouquinho o passado entendemos o que acontece hoje. Ainda bem que a ciência evoluiu muito e hoje, com várias pesquisas em mãos, sabemos que a amamentação não é um processo natural e instintivo, que precisa sim de ajuda para se instalar da melhor forma. Sabemos também que não há leite materno de baixa qualidade, mas sim falhas na técnica da amamentação que dificultam a alimentação do bebê e trazem efeitos desagradáveis para as mães.

    As pesquisas mostram incansavelmente que o leite materno é o melhor alimento para os bebês desde o nascimento, que tem tudo que ele precisa. Inúmeras ações existem hoje para incentivar a amamentação, e graças aos esforços de todos temos conseguidos bons resultados. E o Brasil é exemplo pra muitos lugares.

    Mas temos pela frente um novo desafio. Não basta começar a amamentar, é importante continuar. E como fazer isso? Por quê tantas mães não conseguem seguir em frente? O que está faltando?

    O convite da WABA para a Semana Mundial de Aleitamento Materno 2012, para "Olhar o passado e planejar o futuro" é o ponto de partida. Quando olhamos a história do aleitamento nas sociedades entendemos muito das dificuldades que atrapalham o processo de amamentar hoje. Claro que as campanhas de promoção e incentivo precisam continuar, mas abrir mais espaço para um acompanhamento mais integral do pós parto, até uma amamentação segura e prazerosa, e entender as dificuldades individuais de cada dupla mãe-bebê, é o caminho para chegarmos no tão sonhado índice de 100% de aleitamento materno exclusivo aos 6 meses.

    Precisamos de famílias mais informadas, profissionais mais qualificados e apoio maior ainda do governo, em todas as esferas, com ações e leis que protegem o aleitamento, o desenvolvimento das nossas crianças e tornando as experiência de ser mãe e pai mais prazerosa ainda, com menos frustrações.

    Vamos pegar carona nos movimentos de humanização do parto, de desenvolvimento da primeira infância. Vamos dar as mãos e caminhar juntos, integrados, e com certeza os resultados serão melhores a aparecerão mais rápidos.

    Abraços,
    Com carinho!

    Texto de referência:
    "Mitos e crenças sobre o aleitamento materno"
    Emanuele Souza Marques e col.
    Revista Ciência e Saúde Coletiva, num 16, 2011.

    quarta-feira, 11 de julho de 2012

    O bom desenvolvimento da primeira infância

    Olá amig@s!!

    Desde do ano de 2000, quando ocorreu uma Conferência Global patrocinada pelo Banco Mundial, estudos e ações voltadas para um desenvolvimento saudável das nossas crianças estão em pauta.

    Vários programas que tratam de forma abrangente das necessidades básicas das crianças (saúde, nutrição, desenvolvimento emocional e intelectual) são necessários para a formação de adultos capazes e produtivos.

    Durante a primeira infância padrões de comportamento, de competência e de aprendizagem são iniciados e estabelecidos. É um  período crítico, vulnerável, e circunstâncias socioeconômicas ruins podem ter efeitos duradouros e desastrosos.

    Não há como negar que um bom desenvolvimento infantil começa ainda na gestação, proporcionando e incentivando um pré-natal de qualidade às mães, com qualidade nos serviços oferecidos, educação e apoio. Não podemos esquecer dos programas de incentivo ao aleitamento materno, que várias pesquisas já mostraram sua importância no desenvolvimento neurológico e emocional das crianças.

    Começo hoje a partilhar com vocês um estudo sobre este assunto. Prometo trazer as novidades que for  adquirindo com o caminhar das minhas leituras.

    Pra começar compartilho com vocês um vídeo muito bacana, que fala sobre o desenvolvimento infantil. Um ótimo vídeo para vermos e lembrarmos que este ano é ano eleitoral, e já está mais do que na hora de avaliarmos com calma, detalhe e inteligência as propostas dos candidatos, para ver o que realmente é viável e real, e não apenas uma promessa de campanha. E também não podemos esquecer de cobrá-los após a posse do cargo.

    Com carinho!!
    Abraços!!



    terça-feira, 10 de julho de 2012

    Amamentação: dicas para um dia-a-dia mais fácil!

    Olá amig@s!!

    Já comentei algumas vezes aqui o quanto o início da amamentação não é fácil. Além de ser um processo que não ocorre automaticamente, muitas mães acabam "pecando" em alguns comportamentos que podem dificultar ainda mais o processo de amamentar.

    O site Aleitamento.com nos presenteou com um texto muito interessante sobre situações que parecem inofensivas mas que podem fazer toda a diferença. Compartilho abaixo com vocês o texto, lembrando sempre que uma boa orientação desde o pré-natal e um bom acompanhamento profissional no pós-parto podem transformar o caminho da amamentação mais tranquilo.

    Boa leitura a todos!
    Com carinho!!




    AMAMENTAÇÃO: ERROS + COMUNS e COMO EVITÁ-LOS


    Por: Prof. Marcus Renato de Carvalho


    Os erros mais comuns da amamentação e como evitá-los
    Especialistas apontam os 15 principais equívocos das mães na hora do aleitamento


    DO IG


    Bom tanto para a mãe como para o bebê, o aleitamento reduz o risco de câncer de ovário e de mama e de osteoporose. Já a criança ganha reforços no desenvolvimento e fica mais protegida contra diabetes, infecções respiratórias e alergias, entre outros problemas. Mas muitas mães desistem de amamentar por conta de dores nos mamilos, insegurança ou falta de orientação adequada. Conversamos com especialistas para mostrar quais são os principais erros na hora do aleitamento – e como solucioná-los.

    1. Falta de confiança em si própria

    A tranquilidade da mãe na hora de amamentar já é um grande passo em direção a um momento prazeroso para ambas as partes. Se a mulher fica nervosa com as dificuldades comuns ao início, o processo de amamentação pode ser mais trabalhoso. Com tranquilidade, conforto e confiança, aos poucos mãe e filho vão aprendendo e se entrosando, sem motivos para desespero.

    “O leite é produzido no peito e na cabeça. A nutriz precisa confiar nela mesma. Toda mulher produz leite, até aquela que adota e não ficou grávida”, diz o pediatra Marcus Renato de Carvalho, especialista em amamentação pelo International Board Lactation Consultant Examiners, professor do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFRJ e editor do site Aleitamento.

    2. Dar de mamar com o bebê sonolento

    O processo de amamentação flui melhor quando o bebê está desperto, porque ele consegue abrir a boca para fazer a pega correta (abocanhar o mamilo e a maior parte da aréola). Quando está sonolento, geralmente atinge só a pontinha do mamilo. Resultado: não mama direito e em pouco tempo precisará se “abastecer” de novo. “Para deixar o bebê mais desperto, a mãe pode manter o ambiente mais iluminado e deixar o bebê com menos roupa, para que se aconchegue e equilibre a temperatura no colo da mãe”, aconselha a enfermeira Bárbara Pauletti, do Centro de Amamentação da Maternidade Pró-Matre (SP).

    3. Não prestar atenção ao bebê durante a amamentação

    Como o tempo é curto, muitas mães aproveitam a hora da mamada para realizar outras tarefas: dormir, assistir à televisão e até resolver pendências por telefone. Mas é muito importante aproveitar o período do aleitamento para conversar com o bebê e fortalecer o vínculo entre mãe e filho. Vale conversar, cantar, contar histórias. Qualquer coisa para ajudar a mantê-lo acordadinho e manter um bom ritmo de sucção.

    4. Prender-se ao tempo de mamada

    O bebê não é um reloginho. Ele funciona na hora que quer. Portanto, nada de se prender em conselhos de amigas e avós sobre a duração de cada mamada. “Não é de três em três horas ou de ‘tantos’ minutos em cada peito. Como o leite materno é de fácil digestão, alguns bebês mamam com muita frequência”, explica o pediatra Marcus Renato de Carvalho. Segundo ele, o importante mesmo é zelar pela livre demanda, ou seja, o bebê dita o ritmo: mama o tempo que quiser, no intervalo que necessitar. A mamada só termina quando ele solta espontaneamente o seio materno.

    5. Amamentar com muita gente ao redor

    Se a mãe se sente confortável em amamentar com outras pessoas ao redor, tudo bem. Mas se ficar incomodada ou preferir ter um momento mais íntimo com o bebê, especialmente no início, quando ambos estão se adaptando ao processo, não se acanhe em pedir licença e se “isolar” com a criança. O conforto e a tranquilidade da mãe são essenciais para uma boa amamentação.

    6. Não se atentar para a pega correta do bebê

    Muitas vezes, as fissuras nos seios acontecem por conta da pega incorreta do bebê no seio. “Quando pegam somente o mamilo, além de não extrair bem o leite, os bebês podem provocar rachaduras no peito da mãe”, explica Ana Paula Mikaro Hosoda, enfermeira do Ambulatório de Aleitamento Materno do Hospital Santa Catarina (SP). O certo é o bebê abocanhar toda a aréola, para ter uma melhor sucção e não ferir a mãe.


    7. Deixar o bebê com a cabeça torta


    A mãe deve observar se a cabeça e o corpo do bebê estão alinhados e apoiados, sempre com a cabeça voltada para a mama. Se a cabeça ficar torta, haverá incômodo na deglutição. A posição mais comum é o abdômen da mãe em contato com o do bebê (“barriga com barriga”). O bumbum dele fica apoiado na mão da mãe e a cabeça, na dobra do braço dela.


    8. Pressionar a cabeça do bebê contra o peito


    O bebê se adapta naturalmente à pegada no seio da mãe. Faça somente um apoio e ele naturalmente se achega para abocanhar o seio. Para ficar mais confortável, coloque um travesseiro em cima das suas pernas, dando mais firmeza para apoiar o braço e deixar o bebê na posição correta de maneira mais natural.

    9. Achar que o leite é "fraco" ou insuficiente

    As mamas são preparadas para produzir o leite já no período de gestação. Após o nascimento, o próprio bebê estimula a produção por meio da sucção correta. Portanto, quanto mais o bebê mama, mais leite se produz. Nos primeiros meses de vida, tudo o que o bebê precisa está no leite materno. Não dê a ele chá, água, suco ou outro tipo de leite sem orientação médica.

    10. Ficar alternando os seios a toda hora

    É melhor esvaziar completamente o primeiro seio para só então passar para o segundo. Muitas vezes, o esvaziamento total da mama exige duas ou três mamadas no mesmo peito. Quando as mães alternam os dois seios em cada mamada, acabam por produzir excesso de leite. “Com a hiperprodução, o bebê pode ficar irritado e ganhar menos peso, pois não consegue chegar ao ‘leite do fim’. Este leite final tem uma alta carga de gordura, dá a sensação de saciedade e prazer e engorda”, explica a pediatra e neonatologista Ana Júlia Colameo, membro da IBFAN (Rede Internacional em Defesa do Direito de Amamentar) e conselheira em amamentação da Organização Mundial da Saúde e Unicef.

    11. Dar chupeta e mamadeira ao invés do peito

    As chupetas ensinam o bebê a “mascar”. Durante a amamentação, ele pode machucar a mãe ou não conseguir retirar todo o leite que necessita, porque faz “confusão” ao abocanhar o mamilo. A mamadeira também o habitua a outra forma de se alimentar, causando a “confusão de bicos”. “Além disso, o leite artificial demora a ser digerido, diminuindo o número de mamadas e fazendo reduzir a produção de leite. Por isso é muito comum ver mulheres que, depois que introduziram mamadeira, perderam a amamentação porque o leite ‘secou’ ou o bebê não quis mais”, afirma a pediatra e neonatologista Ana Júlia Colameo.

    12. Usar cremes e loções nos seios

    Para manter o peito sadio, o melhor é fazer uma leve pressão para saída do leite e passar o próprio líquido ao redor da aréola. O uso de pomadas e cremes só deve ser feito com orientação médica. “Se a fissura for muito grande e dolorosa, suspende-se a amamentação na mama mais afetada por um período de 24 a 48 horas e coleta-se manualmente o leite até seu esgotamento, para evitar que o líquido empedre”, orienta Daniela Vieira de Lima, enfermeira obstetra do Hospital e Maternidade São Cristovão (SP).

    13. Esquecer de se alimentar

    Apesar de a alimentação não ter relações diretas com o aumento ou diminuição na produção de leite, é importante fazer um aporte extra de 500 calorias a mais por dia. Os alimentos mais indicados são peixes de água fria, como a sardinha, e gema de ovo. Evite leite de vaca e refrigerantes à base de cola.

    14. Voltar ao cigarro

    A nicotina presente no cigarro continua a fazer mal para o bebê mesmo após o parto, pois a substância passa para o leite materno, assim como o álcool e outras drogas. Com isso, pode haver alterações no sistema nervoso central do bebê, com prejuízos para o seu desenvolvimento.

    15. Desistir na primeira dificuldade

    Dificuldades na amamentação são muito comuns, especialmente nos primeiros dias. Procure ajuda sempre que sentir necessidade. Há diversos centros de apoio à amamentação em hospitais e clínicas médicas, nos quais profissionais de saúde informam e orientam as novas mães sobre o aleitamento. Muitas vezes, a dificuldade é causada apenas por um posicionamento incorreto ou pelo fato de o bebê estar sonolento, fatores que podem ser contornados facilmente, sem precisar desistir do processo.


    Publicado em: 10/7/2012